terça-feira, 23 de junho de 2015

Spotify



        A minha terceira e não menos importante memória de Goiânia é musical. Confesso, caros leitores, que era meio preconceituosa. Acho que a música diz tanto sobre as pessoas e, como certos ritmos nunca ganharam o meu coração, acabei adquirindo uma resistência até com seus apreciadores.

       Mas a vida de Agência não permite melindres. Passamos a conviver com gente tão diferente e é inevitável que role um intercâmbio rítmico entre um job e outro.
Também não é tudo que passa a tocar no fone, o crivo ainda existe, mas a gente dá uma relaxada e passa até a enxergar poesia onde julgava existir só tranqueira.

     Agora, sem nenhuma vergonha, na barrinha de quem me segue no Spotify pode aparecer um “Ametista está escutando Henrique & Juliano”. Eles mesmos, do mêlo chiclete “de copo sempre cheio e coração vazio”. Essa é a ruim, só pra constar: se quer apreciar o âmago do sertanejo universitário escute “Eu me enrosquei de novo” ou “Céu particular” dos moços e tenha a sensação de sexta-feira e cerveja gelada mesmo numa terça tumultuada de trabalho.

       A lista é gigante. No play tem Wesley Safadão e Simone & Simaria (apresentadas pelo meu atendimento Iago) dividindo espaço com Chico Buarque e Pearl Jam que eu sempre adorei escutar. Outro dia ouvi até Luan Santana, mas era um momento súbito de loucura e já recuperei a lucidez.


     Tenho preferido assim, mais diversidade na vida e também no play. Aconselho que você aí também dê uma chance pros Henriques e Julianos, Wesleys e afins. Pode ser bem divertido.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Tia Joana




A minha segunda memória de Goiânia é olfativa e, principalmente, degustativa. É um canto com cheiro de mãe, gosto de mãe, jeitinho de mãe e com o nome da minha digníssima: Joana. O Tia Joana é o meu recanto pra matar a saudade da mulher mais importante da minha vida. Sim amigos, a distância entre Goiânia e Anápolis é pequenininha, mas o tempo que enfrento no trânsito até chegar a capital e dentro dela até a Agência faz com que a minha interação com família e amigos seja quase nula durante a semana. Acabo nem vendo a minha mãe que está dormindo quando saio e também quando chego.
                É aí que o Tia Joana entra: é um recanto todo fofo, pra gente mimada como eu que ama coisinhas com gosto de casa, com cheirinho de casa e que tem até rabiscos de giz na parede, lembrando mesmo a infância.
                A lanchonete tem o sabor típico da cozinha da minha mãe e também a sabedoria dela. Nas paredes, pintadas com tinha de quadro negro, existe um monte de dicazinhas de como ter um dia melhor. Me pego mesmo pensando que esse lugar tem tanto da minha mãe que deve ter sido posicionado por Deus estrategicamente perto da Agência pra dissipar um pouco a distância entre a geografia, meu paladar e o meu coração.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Linha 028

               


             Todos os dias pontualmente às 07h50min da manhã encontro o meu companheiro de viagem no 028. É o Seu Joaquim, que é figurinha carimbada e querida por todos os passageiros diários da linha. Ele beira os 70 e parece ter saído de um baile antigo da Lapa: sempre está de chapéu estilo panamá e um blazer bege bem alinhado.
            Os boatos são de que Seu Joaquim já está meio caduco e por isso se veste tão elegantemente para pegar o abarrotado e nada glamoroso 028. Acho que ele se veste mesmo é pro show que dá enquanto subimos a T9, na avenida ele diverte a todos com histórias dos tempos que não vivemos. Conta da sua esposa Carol, que às vezes a memória chama de Cecília e do noivado tumultuado dos dois já que o sogro era Coronel. Conta dos estados que visitou, das mulheres que teve.
            As histórias nem sempre batem, vez ou outra a sua memória falha mas sempre saio do 028 emocionada com as lembranças daquele menino velho. Hoje resolvi entrar na brincadeira e dei um pouco de corda pro meu amigo, disse que me chamava A – ME – TIS – TA e que era nova na cidade. Ele disse que tinha certeza de que era turca, que meu nome só comprovava as suspeitas e me contou de uma “conterrânea” que conheceu certa vez, uma rápida paixão. O romance não deu muito certo mas ele diz que até hoje tem na memória o perfume da moça.
            Amanhã vou pegar novamente o 028 e encontrar o Seu Joaquim, escutá-lo contar da sua esposa que às vezes é Carol e outras é Cecília. Ele vai perguntar o meu nome e vou responder. Talvez diga a verdade ou talvez possa inventar que sou Marina ou Suzana, assim ele me contará uma história diferente e outro romance. O fato é que Seu Joaquim, contando uma história de verdade ou não, com a memória funcionando ou meio capenga, já é um pedacinho gigante de Goiânia no meu coração.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Todo começo é meio difícil, não é gente? Pode ser o começo em um trabalho novo, um novo relacionamento, mudança de cidade. Pode ser de um curso na faculdade, de uma viagem. Inícios sempre deixam a gente entre a euforia e a timidez. E é com esses sentimentos que eu escrevo as primeiras palavras do "O melhor dos três", um espaço diferente dos meus últimos dois blogs e que (juro!) terá continuidade. Vem comigo?