A minha segunda memória de Goiânia é olfativa e, principalmente,
degustativa. É um canto com cheiro de mãe, gosto de mãe, jeitinho de mãe e com
o nome da minha digníssima: Joana. O Tia Joana é o meu recanto pra matar a
saudade da mulher mais importante da minha vida. Sim amigos, a distância entre Goiânia
e Anápolis é pequenininha, mas o tempo que enfrento no trânsito até chegar a capital
e dentro dela até a Agência faz com que a minha interação com família e amigos
seja quase nula durante a semana. Acabo nem vendo a minha mãe que está dormindo
quando saio e também quando chego.
É aí que o Tia Joana entra: é um
recanto todo fofo, pra gente mimada como eu que ama coisinhas com gosto de
casa, com cheirinho de casa e que tem até rabiscos de giz na parede, lembrando
mesmo a infância.
A lanchonete tem o sabor típico da
cozinha da minha mãe e também a sabedoria dela. Nas paredes, pintadas com tinha
de quadro negro, existe um monte de dicazinhas de como ter um dia melhor. Me
pego mesmo pensando que esse lugar tem tanto da minha mãe que deve ter sido
posicionado por Deus estrategicamente perto da Agência pra dissipar um pouco a
distância entre a geografia, meu paladar e o meu coração.

