Todos
os dias pontualmente às 07h50min da manhã encontro o meu companheiro de viagem
no 028. É o Seu Joaquim, que é figurinha
carimbada e querida por todos os passageiros diários da linha. Ele beira os 70
e parece ter saído de um baile antigo da Lapa: sempre está de chapéu estilo
panamá e um blazer bege bem alinhado.
Os
boatos são de que Seu Joaquim já está meio caduco e por isso se veste tão
elegantemente para pegar o abarrotado e nada glamoroso 028. Acho que ele se
veste mesmo é pro show que dá enquanto subimos a T9, na avenida ele diverte a
todos com histórias dos tempos que não vivemos. Conta da sua esposa Carol, que
às vezes a memória chama de Cecília e do noivado tumultuado dos dois já que o
sogro era Coronel. Conta dos estados que visitou, das mulheres que teve.
As
histórias nem sempre batem, vez ou outra a sua memória falha mas sempre saio do
028 emocionada com as lembranças daquele menino velho. Hoje resolvi entrar na
brincadeira e dei um pouco de corda pro meu amigo, disse que me chamava A – ME
– TIS – TA e que era nova na cidade. Ele disse que tinha certeza de que era
turca, que meu nome só comprovava as suspeitas e me contou de uma “conterrânea”
que conheceu certa vez, uma rápida paixão. O romance não deu muito certo mas ele diz que até hoje tem na memória o perfume da moça.
Amanhã
vou pegar novamente o 028 e encontrar o Seu Joaquim, escutá-lo contar da sua
esposa que às vezes é Carol e outras é Cecília. Ele vai perguntar o meu nome e
vou responder. Talvez diga a verdade ou talvez possa inventar que sou Marina ou
Suzana, assim ele me contará uma história diferente e outro romance. O fato é
que Seu Joaquim, contando uma história de verdade ou não, com a memória
funcionando ou meio capenga, já é um pedacinho gigante de Goiânia no meu
coração.

que fofo o seu Joaquim!
ResponderExcluirGostei muito do seu blog Ametista! Parabéns!
Bjo...ou melhor grande abraço! rs