A minha
terceira e não menos importante memória de Goiânia é musical. Confesso, caros
leitores, que era meio preconceituosa. Acho que a música diz tanto sobre as
pessoas e, como certos ritmos nunca ganharam o meu coração, acabei adquirindo
uma resistência até com seus apreciadores.
Mas a
vida de Agência não permite melindres. Passamos a conviver com gente tão
diferente e é inevitável que role um intercâmbio rítmico entre um job e outro.
Também
não é tudo que passa a tocar no fone, o crivo ainda existe, mas a gente dá uma
relaxada e passa até a enxergar poesia onde julgava existir só tranqueira.
Agora,
sem nenhuma vergonha, na barrinha de quem me segue no Spotify pode aparecer um
“Ametista está escutando Henrique & Juliano”. Eles mesmos, do mêlo chiclete
“de copo sempre cheio e coração vazio”. Essa é a ruim, só pra constar: se quer
apreciar o âmago do sertanejo universitário escute “Eu me enrosquei de novo” ou
“Céu particular” dos moços e tenha a sensação de sexta-feira e cerveja gelada
mesmo numa terça tumultuada de trabalho.
A lista
é gigante. No play tem Wesley Safadão e Simone & Simaria (apresentadas pelo
meu atendimento Iago) dividindo espaço com Chico Buarque e Pearl Jam que eu
sempre adorei escutar. Outro dia ouvi até Luan Santana, mas era um momento
súbito de loucura e já recuperei a lucidez.
Tenho
preferido assim, mais diversidade na vida e também no play. Aconselho que você
aí também dê uma chance pros Henriques e Julianos, Wesleys e afins. Pode ser
bem divertido.
